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Em 2015, a Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado anualmente, em 11 de fevereiro, como forma de reconhecer a contribuição feminina para o avanço do conhecimento científico e incentivar a participação de meninas e mulheres nos diferentes campos da ciência. Ao longo da história, nomes como Marie Curie – primeira pessoa a conquistar dois Prêmios Nobel em áreas distintas – simbolizam a resistência e a excelência feminina em espaços tradicionalmente ocupados por homens. Hoje, esse legado se materializa também na Amazônia, onde pesquisadoras constroem ciência nos territórios, nas comunidades e nos desafios regionais.

Para comemorar a atuação dessas mulheres, a Universidade Federal do Pará (UFPA) inicia hoje a Série Especial Mulheres e Meninas na Ciência, que, neste ano, destaca pesquisadoras dos diferentes campi da Instituição e evidencia a importância da presença feminina na produção científica amazônica. “As mulheres produzem ciência com base em vivências diversas e ampliam perspectivas, metodologias e temas de investigação. Elas trazem para o campo científico experiências historicamente invisibilizadas e contribuem para construir uma ciência mais ética, socialmente comprometida e articulada à realidade, especialmente no contexto amazônico”, destaca Ladyana dos Santos Lobato, primeira entrevistada da série.

Servidora pública federal da UFPA há cerca de 16 anos, atuando, atualmente, como coordenadora da Divisão de Extensão do Campus Abaetetuba, Ladyana é uma dessas mulheres que se destacam ao construir uma trajetória acadêmica marcada pela articulação entre pesquisa, ensino e extensão. Doutora em Letras/Estudos Literários pela UFPA, ela desenvolve ações que aproximam a Universidade da comunidade e fortalecem temas como memória, educação, direitos humanos e diversidade étnico-racial na Amazônia.

Sua trajetória é marcada, sobretudo, pelo desenvolvimento de projetos voltados à inclusão social, educação básica, cultura, diversidade étnico-racial e formação cidadã, que visam fortalecer a relação entre Universidade e comunidade amazônida. Entre os projetos coordenados por Ladyana, destaca-se a implementação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) no Campus Abaetetuba, que fomenta pesquisas e ações de extensão voltadas às políticas de ações afirmativas, ao combate ao racismo e à valorização das culturas de matriz africana, afro-brasileira e quilombola.

Além disso, a pesquisadora participa de projetos como o Cursinho Popular, a Brinquedoteca (a qual visa ao atendimento dos filhos e das filhas de estudantes do Campus) e as Visitas Escolares Guiadas à UFPA, todos estes voltados à democratização do acesso ao ensino superior e ao fortalecimento do vínculo entre universidade, educação básica e sociedade.

“A extensão universitária é um potente espaço de produção de conhecimento. A interação com a comunidade revela saberes, demandas e soluções que, muitas vezes, não aparecem nos espaços acadêmicos tradicionais, mas são fundamentais para uma ciência socialmente referenciada”, afirma Ladyana Lobato.

Representatividade, desafios e transformação social – De acordo com Ladyana, a presença feminina na ciência amplia o “pensar” e o “fazer” científico, inspirando outras meninas e jovens a ocuparem esse espaço. “A presença das mulheres na ciência tem um efeito inspirador, mostrando para outras meninas e jovens que esse também é um espaço possível, legítimo e necessário para elas. Então, quanto mais mulheres na ciência, maiores são os avanços nas pesquisas e mais visível se torna a força das mulheres nos diferentes campos de atuação”, aponta.

Para Ladyana, ocupar espaços de decisão, produção do conhecimento e gestão dentro de locais como a universidade é uma responsabilidade coletiva. “É importante mostrar que mulheres, especialmente mulheres negras e amazônidas, podem e devem ocupar esses lugares. Ao mesmo tempo, isso representa abrir caminhos, fortalecer outras trajetórias e contribuir para que esses espaços se tornem mais diversos, mais justos e mais acolhedores”, pondera.

“Conciliar produção científica com outras dimensões da vida torna esse percurso ainda mais desafiador. Por isso é essencial o fortalecimento de políticas que contribuam para minimizar as desigualdades de gênero na ciência”, reflete a pesquisadora que tem sua trajetória acadêmica também influenciada por outra mulher, sua mãe, Maria do Socorro dos Santos Lobato, que foi uma figura atuante e reconhecida na área da Educação. 

Pesquisa, memória e ditadura – Na pesquisa, Ladyana é líder do Grupo “Infância, Exílio e Ditaduras”, certificado pelo CNPq, o qual desenvolve estudos sobre testemunho, memória e Ditadura Militar por meio da literatura, do cinema, da fotografia e de outras expressões artísticas. “A pesquisa analisa o testemunho e a memória de filhos de perseguidos, desaparecidos e mortos políticos da Ditadura Militar de 1964 e a forma como essas experiências aparecem na arte. Trata-se de uma oportunidade de refletir sobre a resistência à opressão, à dominação, à tortura e ao despotismo”, explica.

“Em tempos de violência, a reflexão sobre o autoritarismo sempre será uma atividade necessária, pois abarca não só a força exercida pelo regime ditatorial, mas também as relações de poder existentes, atualmente, na sociedade”, pontua a pesquisadora que também integra o Grupo de Estudos de Narrativa de Resistência Narrares há 10 anos. “Estudar memória, educação e direitos humanos é uma forma de manter vivo o debate sobre justiça, democracia e resistência”, completa Ladyana Lobato.

A trajetória de Ladyana dos Santos Lobato inicia a edição 2026 da Série Especial Mulheres e Meninas na Ciência. Acompanhe as próximas publicações para conhecer as histórias, as trajetórias profissionais e as realizações de pesquisadoras dos diferentes campi da UFPA, as quais reafirmam a ciência como espaço de diversidade, resistência e transformação social.

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FOTOS: Arquivo pessoal

Última modificação em Terça, 10 de Fevereiro de 2026, 18h38


  • 10/02/26
  • 18h12

 

Em sessão realizada nesta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, o Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da Universidade Federal do Pará aprovou, por unanimidade, a concessão de diploma de graduação post mortem ao estudante Cezar Morais Leite, assassinado em 10 de março de 1980, aos 19 anos. A proposta foi uma iniciativa do reitor da UFPA, professor Gilmar Pereira da Silva.

Cezar foi morto dentro do Campus Básico, em Belém, por disparo de arma de fogo efetuado por agente da repressão infiltrado na Universidade. O discente assistia a uma aula da disciplina Estudos dos Problemas Brasileiros, sendo assassinado em contexto reconhecido de violência política durante a Ditadura Militar.

O estudante era aluno do curso de Bacharelado em Matemática, tendo cursado até o terceiro período letivo. A diplomação, de caráter simbólico, não corresponde à outorga de grau acadêmico, mas a ato honorífico e memorial, com finalidade de reconhecimento institucional e reparação histórica, como informa o parecer do Consepe, relatado pelo professor Edmar Tavares da Costa.

A deliberação da concessão está respaldada no Artigo 207 da Constituição Federal, que assegura às universidades federais autonomia didático-científica, administrativa e de gestão patrimonial, bem como na Lei nº 9.394/1996, que reconhece a prerrogativa das Instituições Federais de Ensino Superior para regulamentar seus atos internos, inclusive aqueles de natureza honorífica e memorial. A concessão está inserida no campo da justiça de transição, compreendida como o conjunto de medidas adotadas por sociedades democráticas para enfrentar legados de regimes autoritários, abrangendo os eixos da verdade, da memória, da reparação e das garantias de não repetição.

No parecer, o professor Edmar Costa ressaltou que a Comissão Nacional da Verdade, instituída pela Lei nº 12.528/2011, reconheceu, oficialmente, a prática sistemática de graves violações de direitos humanos durante a Ditadura Civil-Militar, que tomou o poder em 1964, e recomendou, em seu Relatório Final, que instituições públicas, inclusive universidades, adotem medidas de memória e reconhecimento simbólico em relação às vítimas da repressão estatal. “Neste sentido, o assassinato do estudante no interior de uma universidade pública, durante atividade acadêmica, configura situação de gravidade extrema, cuja omissão institucional perpetua a invisibilidade da violência praticada pelo Estado”, destacou o autor do parecer.

Além do caso emblemático do assassinato do estudante paraense em plena sala de aula, o parecer cita alguns casos entre os vários acontecidos em decorrência da repressão da Ditadura em circunstâncias vinculadas a atividades acadêmicas, manifestações políticas ou simples exercício da vida universitários, como os que vitimaram Alexandre Vanucci Leme, estudante de Geologia da USP; Stuart Edgar Angel Jones, estudante de Economia da UFRJ; e Honestino Guimarães, estudante do curso de Geologia da UnB. Além dos casos de assassinato, o parecer alude aos milhares de estudantes universitários presos arbitrariamente, submetidos a tortura física e psicológica, expulsos de cursos ou impedidos de prosseguir sua formação acadêmica.

O assassinato de César Moraes Leite, ocorrido no interior do Campus Básico da UFPA, durante atividades letiva, insere-se neste padrão nacional de violência estatal contra estudantes universitários durante a Ditadura. “A adoção pela UFPA de medida de reconhecimento simbólico não constitui fato isolado, mas alinha-se a um movimento nacional de revisão crítica do passado autoritário, reafirmando o papel da universidade como espaço de memória, democracia e defesa dos direitos humanos”, conclui o parecer aprovado, por unanimidade, pelo Consepe da UFPA.

Para o reitor Gilmar Pereira da Silva, a decisão unânime dos conselheiros demonstra o compromisso da UFPA com a memória, com a justiça e com a defesa da vida. “A concessão do diploma simbólico a César Moraes Leite é um ato de reconhecimento institucional e de reparação histórica que honra sua trajetória interrompida, assim como os valores democráticos que orientam a universidade pública”. 

 

TEXTO: Walter Pinto - Assessoria de Comunicação Institucional da UFPA

FOTOS: Arquivo Ascom/UFPA

 

Última modificação em Terça, 03 de Fevereiro de 2026, 11h40


  • 03/02/26
  • 11h36

O Presidente da Comissão Eleitoral (CE) para Representação Docente do Campus Universitário de Abaetetuba no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE) da Universidade Federal do Pará - UFPA, Prof. Dr. Robson Borges Rua, usando das atribuições legais e estatutárias que lhes foram imputadas através da Portaria Nº 02/2026, por meio da Coordenação do Campus Universitário do Baixo Tocantins da Universidade Federal do Pará – CUBT/UFPA, torna pública a seleção de docentes de carreira (titular e suplente) para representar o conselho do campus no referido conselho, com vigência de 02 (dois) anos.

O edital completo pode ser acessado através do link anexo.

EDITAL 01 – CE/CONSEPE/CUBT/UFPA

Última modificação em Sexta, 30 de Janeiro de 2026, 12h36


  • 30/01/26
  • 12h24

O Campus Universitário de Abaetetuba vem, por meio deste, divulgar a abertura das inscrições para graduandos e graduados dos Cursos de Letras/Português, Letras/Espanhol, Matemática, Física, Química, Biologia, História, Geografia, Sociologia, Filosofia e Educação do Campo do Campus de Abaetetuba e de outras Instituições de Ensino Superior, públicas ou privadas, para atuarem como professores/as voluntários/as do Programa Universidade Aberta (PUAA 2026) que funcionará no Campus Universitário de Abaetetuba, oferecendo aulas expositivas e presenciais de disciplinas exigidas no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), para alunos/as concluintes ou egressos/as do ensino médio, oriundos/as de escolas públicas.

Para acessar o edital, clique aqui.

Última modificação em Sexta, 30 de Janeiro de 2026, 12h39


  • 22/01/26
  • 19h50

       No dia 16 de janeiro de 2026, no Laboratório de Engenharia de Produção (LEP), da Universidade Federal do Pará (UFPA) - Campus de Abaetetuba, houve a primeira aula do projeto de extensão Navega Saberes Mutirão: Capacitação Digital para Educadores da Rede Municipal  de Abaetetuba - PA, o qual foi produzido e organizado pela Divisão de Tecnologia da Informação e Comunicação (DTIC - UFPA) e configura-se como uma ferramenta eficaz de ensino tecnológico àqueles que necessitam desse tipo de formação para que possam efetuar, de maneira autônoma, tarefas relativas ao trabalho ou à vida pessoal que demandam ferramentas digitais.

       Assim, a aula foi ministrada por Eden Jonathan Pacheco, bolsista do projeto; Jocenildo Abreu e Edil Vilhena, servidores da DTIC; e os estagiários Juan Barbosa e Priscila Silva, oriundos do IFPA. Estes, juntos, abordaram, de maneira introdutória, o universo tecnológico, ressaltando elementos como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) relativa à computação, que auxilia no ensino digital em ambientes educacionais no Brasil. Ademais, os cursistas foram ensinados a utilizar inteligências artificiais como instrumentos para a produção de aulas envolvendo a informática, seguindo, de igual modo, os objetivos e habilidades propostos pela BNCC deste campo de conhecimento, mostrando que a instrumentalização digital, se bem utilizada, pode facilitar muitas de nossas atividades cotidianas. 

 

       

       Outrossim, a aula contou com socializações nas quais os cursistas falaram de suas perspectivas acerca do projeto, bem como suas dificuldades no que se refere à tecnologia da informação, compartilhando uma parcela de suas vivências e trazendo à tona a importância desta oportunidade de capacitação no cenário educacional abaetetubense, como nós, igualmente, defendemos.

       Portanto, sob esse viés, esperamos pelas próximas aulas com a firme convicção de que serão tão proveitosas quanto esta, eliminando, a cada uma delas, mais e mais barreiras, tornando, assim, os cursistas cada vez mais seguros e capacitados para utilizar a seu favor o mundo tecnológico que os rodeia a todo instante.

 

Última modificação em Sexta, 16 de Janeiro de 2026, 19h18


  • 16/01/26
  • 17h54
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